Quem já precisou de um exame especializado pelo SUS no interior conhece a rotina: a consulta identifica a necessidade, o pedido é emitido, e então começa a parte que ninguém consegue estimar — a espera por uma vaga, muitas vezes em outra cidade.
Duas dessas esperas acabaram de encurtar em Três Lagoas. O Centro de Especialidades Médicas (CEM), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), passou a realizar eletroencefalograma (EEG) e Holter dentro da própria rede municipal.
Eletroencefalograma: 12 exames por semana
O EEG começou a ser realizado nesta semana. A previsão da Secretaria Municipal de Saúde é de seis exames por dia, às terças e sextas-feiras — o que dá 12 procedimentos por semana e cerca de 50 exames por mês.
O eletroencefalograma registra a atividade elétrica do cérebro e é peça central na investigação de epilepsia, crises convulsivas, distúrbios do sono e outras alterações da atividade cerebral. É um exame que costuma travar o percurso do paciente justamente porque, sem ele, o neurologista não fecha a conduta.
A expectativa declarada pela pasta é zerar a fila existente e, depois disso, garantir que novos pacientes consigam o exame em tempo oportuno.
Holter: R$ 59,5 mil investidos em equipamento próprio
O outro serviço implantado é o Holter, monitoramento contínuo da atividade elétrica do coração por, no mínimo, 24 horas — registrando o eletrocardiograma enquanto o paciente segue a vida normal. É o exame indicado quando há suspeita de arritmias, palpitações, desmaios e tonturas que o eletrocardiograma convencional, feito em poucos minutos no consultório, não flagra.
Para viabilizar o serviço, a prefeitura investiu R$ 59.500,00 na aquisição de um Sistema Holter Analisador e Gravador, composto por um aparelho analisador e três gravadores. A estrutura permite três exames por dia, de segunda a quinta-feira — 12 por semana, média de 50 pacientes por mês.
Os atendimentos já estão em andamento, com pacientes acolhidos conforme cronograma da SMS.
Cerca de 100 exames a mais por mês
Somados, os dois serviços representam aproximadamente 100 procedimentos mensais que antes dependiam de encaminhamento para fora da rede municipal.
O ganho não é apenas de volume. É de tempo e de custo indireto para o paciente: exame feito na própria cidade dispensa deslocamento, acompanhante, dia de trabalho perdido e o risco, nada raro, de a vaga cair em uma data impossível de cumprir e o paciente voltar ao fim da fila.
Vale a ressalva honesta: 50 exames mensais de cada tipo é uma capacidade definida. Se a demanda reprimida for maior que isso, a fila diminui — mas não desaparece de imediato. O indicador a acompanhar nos próximos meses é o tempo médio de espera, não o número de exames realizados.
Como o paciente chega ao exame
O acesso segue o fluxo padrão da rede municipal: a indicação parte do profissional que acompanha o caso, e o agendamento é feito pela Central Municipal de Regulação, conforme o cronograma estabelecido pela Secretaria Municipal de Saúde.
Ou seja: não há inscrição direta nem fila presencial no CEM. Quem tem pedido médico deve acompanhar o encaminhamento pela unidade de saúde de referência.
O que esperar de cada exame, na prática
Como são procedimentos que muita gente faz pela primeira vez, vale desfazer receio desnecessário.
Eletroencefalograma. É indolor. O paciente permanece deitado enquanto eletrodos são fixados no couro cabeludo com uma pasta condutora, que sai depois com água. Costuma durar entre 20 e 40 minutos. Em geral pede-se que a pessoa chegue com o cabelo limpo e sem creme ou gel, e em alguns casos há orientação sobre privação parcial de sono na véspera — a recomendação exata vem do serviço que agendou, e é ela que vale.
Holter. O paciente sai de casa com o aparelho instalado e volta ao serviço no dia seguinte para devolvê-lo. Durante as 24 horas, a orientação é levar a vida normal — é justamente a rotina comum que o exame precisa registrar — e anotar horários de sintomas como palpitação ou tontura, porque é esse diário que permite cruzar a queixa com o traçado. Em geral não se pode molhar o aparelho, o que significa suspender o banho no período.
Nos dois casos, quem tira dúvida sobre preparo é a equipe que fez o agendamento, não a internet.
Por que esses dois exames travam tanto
Não é coincidência que EEG e Holter apareçam juntos numa mesma frente de ampliação. Ambos compartilham três características que os transformam em gargalo clássico da atenção especializada.
Ocupam equipamento dedicado por longos períodos — um gravador de Holter fica indisponível por 24 horas para cada paciente, o que explica por que três gravadores rendem apenas três exames diários.
Exigem laudo de profissional especializado, o que significa que ampliar a coleta sem ampliar a capacidade de interpretação apenas transfere a fila de lugar.
E são exames de porta de entrada: sem eles, o neurologista e o cardiologista não fecham conduta. Cada semana de espera aqui trava toda a linha de cuidado que vem depois — nova consulta, início de medicação, decisão sobre encaminhamento.
É por isso que resolver esses dois pontos rende mais do que o número absoluto de exames sugere.
Parte de um pacote maior
A implantação dos dois exames se soma a outras entregas recentes da administração municipal na área. Nas últimas semanas, a prefeitura concluiu a manutenção predial da USF Nova Três Lagoas e mantém em andamento obras de manutenção nas USFs Atenas e Vila Alegre, previstas para entrega nos próximos meses.
Fora da saúde, a cidade também recebeu, em 24 de julho, o novo estacionamento pavimentado da Lagoa Maior, com vagas sinalizadas, cerca de 50 metros de rampa acessível e escada de acesso à pista de caminhada — uma intervenção da Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Trânsito (SEINTRA) em um dos cartões-postais mais frequentados do município.
Serviço
- Onde: Centro de Especialidades Médicas (CEM), rede municipal de Três Lagoas
- Eletroencefalograma (EEG): terças e sextas-feiras, 6 exames por dia (cerca de 50 por mês)
- Holter: de segunda a quinta-feira, 3 exames por dia (cerca de 50 pacientes por mês)
- Agendamento: pela Central Municipal de Regulação, mediante pedido médico
- Custo: gratuito, pelo SUS